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Por Thayssl Parte da continuidade de Bloodstream.

Do alto do Empire State Building, era possível ter uma visão completa e privilegiada de toda a cidade de Nova York, as luzes que nunca se apagavam e o movimento excessivo, apesar de já passar da meia noite. O som das sirenes dos carros da polícia, ambulâncias em alta velocidade, buzinas... Tudo era extremamente familiar para Adalind Herondale. Sentada no parapeito, com as pernas balançando enquanto comia uma porção de batatas fritas, totalmente despreocupada. Seu recém-ganho Ipod tocava sua playlist favorita e, de certa forma, ela se sentia relaxada após várias semanas treinando suas habilidades de luta ao extremo. Por fim, seu pai permitiu que ela realizasse uma pequena escapada noturna para colocar suas ideias em dia. O vento frio bagunçava seus cabelos ruivos enquanto comia e ela agradeceu mentalmente por ter vestido um casaco esta noite. Tudo ia extremamente bem até que seu celular começou a vibrar freneticamente em sua coxa.

— Espero, pelo anjo, que seja algo muito importante, Will. — Responde a mesma impaciente. Seu irmão sorri, parecendo muito divertido.

— Garanto que é muito importante, minha querida irmã. — Ela sabia que Will estava tentando provocá-la.

— Então fala de uma vez.

— Recebemos um relato sobre alguns vampiros causando problemas na 5th avenida em um bar chamado 230 Fifty. Acredito que você será completamente capaz de cuidar disto sozinha. — Will parecia se divertir a cada palavra que dizia. Típico de seus modos sarcásticos herdados do pai. — Ah, e de alguma maneira mamãe acordou inesperadamente no meio da madrugada e está louca com você, então sugiro que volte logo pro Brooklyn.

— Se eu descobrir que tem nem que seja um dedinho seu nisto, irei arrancar todos os seus malditos fios loiros, William! — Adalind grita com ele, que apenas sorri.

— Woah... Calma! Tem uma fila de garotas que ficariam muito horrorizadas só de pensar nisto. Afinal, elas adoram meus fios naturalmente loiros. — Ele fala com muita tranquilidade, até que uma porta bate com força, assustando o próprio Will.

— Linds, preciso desligar. A mamãe está soltando fogo pelos cabelos. Não. Espera. São só os cabelos dela mesmo. Mas, sério, você precisa vir o mais rápido possível. — Mais uma batida seguida pela voz gritante de sua mãe. Adalind temia que sua mãe criasse uma runa especialmente para castigá-la quando chegasse em casa. — Tchau, odeio você! — Grita Will.

— Eu odeio ainda mais que isso! — Grita Adalind em resposta, como sempre faz. Era um código que sempre usava com seu irmão e significava muito para eles.

Adalind e William Herondale eram irmãos gêmeos. Apesar das muitas diferenças de aparência, (Alguns diziam que a beleza e o charme que os dois possuíam e emanavam era a única semelhança real) os dois se completavam totalmente e eles eram um para o outro o que se tinha de mais próximo de uma relação parabatai. Eles se amavam puramente e possuíam uma compreensão impressionante dos seus sentimentos e gostos.

A jovem Herondale começa então sua descida do prédio, se utilizando de sua perfeita agilidade de Caçadora de Sombras para se apoiar. Quando finalmente estava em uma altura segura, ela se joga em queda livre e toca o chão com elegância, extremamente satisfeita. O bar mencionado por Will não ficava tão distante do Empire State, então ela decidiu que ir correndo seria mais correto. Ela atravessou a rua e caminhou rapidamente entre as pessoas, sem se preocupar em esbarrar nelas ou chamar atenção, afinal de contas, a maior parte dos mundanos era incapaz de enxergar através do glamour.

Após ter percorrido todo o caminho, finalmente chegou ao bar. Adalind ouve os gritos vindos de cima do prédio e percebe que o 230 Fifty era de estilo Rooftop, estilo este muito adotado atualmente, em que o estabelecimento ficava, na verdade, no teto do prédio. Ela escala sem dificuldades por uma escada de incêndio e por fim chega ao centro da histeria. Diversas pessoas, a maioria muito jovens, correm em direção à porta única do bar que parecia congestionada. Funcionários tentaram evacuar a multidão de maneira organizada e a polícia já havia estacionado seus carros e estavam prontos para agir.

— O que está acontecendo aqui? — Pergunta Adalind para uma jovem que caminhava assustada em direção à saída. Ela olhou para Adalind sem notar as marcas que a mesma possuía, talvez pelo casaco que cobria a maioria das runas ou talvez pelo efeito do glamour.

— Alguns jovens de uma mesa vizinha começaram a atacar do nada todas as pessoas. Não sei se foi o álcool ou drogas, mas muita gente se machucou. — Ela aponta para o lado mais afastado do bar e dá uma última olhada para o rosto de Adalind dizendo. — Se eu fosse você sairia daqui o mais rápido que conseguisse.

— Obrigado pelo conselho. — Adalind diz e corre para o local onde a menina havia apontado. A cena que ela vê é um tanto quanto perturbadora. Quatro jovens vampiros, sendo um deles mulher, estavam agachados no chão e sugam o sangue de três corpos inertes. Adalind desembainha sua lâmina serafim e chuta uma cadeira próxima a ela, chamando a atenção da vampira, que se assusta com a presença da garota ruiva.

— Acho que não preciso me apresentar. — Adalind diz enquanto se apoia em sua arma. — Se forem vampiros inteligentes se renderão agora sem causar mais tumulto. — Os vampiros deixam os corpos para trás e se aprontam para atacar Adalind, que suspira. — Porque será que vocês nunca decidem ir pela maneira mais fácil e menos cansativa?

— Tenham cuidado com os passos, ela é uma Caçadora de Sombras! — Diz a jovem vampira, aparentemente a líder do grupo, avançando contra Adalind logo em seguida.

Apesar de serem quatro contra apenas um, para Adalind aquilo era fácil demais. Os vampiros eram recém-transformados e ainda não tinham habilidades admiráveis de luta e, para completar, pareciam estar sobre o efeito de algo. Ela primeiramente desabilita os três vampiros com cortes precisos em seus ligamentos da perna. Dois deles ainda assim avançam contra Adalind, que não vê outra solução a não ser matá-los. A vampira, parecendo consumida pelo ódio, investe contra Adalind, que desvia facilmente de seus ataques e crava sua lâmina em seu peito, resumindo a mesma a pó. O último vampiro estava encolhido no canto do bar em completo pânico. Adalind decide levá-lo com ela para um pequeno interrogatório antes de deixá-lo ir.

— Polícia de Nova York, afastem-se todos! — Os policiais avisam da entrada do bar. Adalind presume que não pode ficar mais nem um segundo naquele lugar e salta em direção a uma rua escura, forçando o vampiro a fazer o mesmo. Eles caem no chão sem muitos danos e pela falta de luz no recinto, a garota segura sua pedra enfeitiçada que ilumina tudo ao seu redor.

— Porque atacaram civis desta maneira? Não compreende que isto é uma clara violação dos Acordos?! — Adalind grita com o sujeito. Ele se encolhe e a mesma o empurra. — Estou falando com você!

— E-eu sei. Nós nos alimentamos de alguns humanos em uma balada aqui perto e acabamos nos sentindo um pouco diferente. Quando chegamos ao bar, não conseguimos conter nossa sede. Era como se eu não tivesse vontade própria. — Ele revela muito nervoso e agitado. Adalind franze o cenho, estranhando a atitude do vampiro.

— Está livre para ir, mas irei reportar este acontecimento para meus superiores e os mesmos conversarão com a sua líder. Seu destino está nas mãos da lei agora. — Ela larga o homem que corre cambaleante o mais rápido que pode. Adalind guarda sua lâmina serafim e sua pedra enfeitiçada, e corre para pegar o metrô mais próximo afim de chegar logo no Instituto, e como consequência enfrentar uma mãe muito nervosa.

[...]

Adalind simplesmente não conseguia lembrar a última vez em que havia recebido tantos gritos de sua mãe. Ela estava sentada de pernas cruzadas no sofá e ouvia atentamente cada reclamação.

— Você só tem dezessete anos, Adalind! O que te faz pensar que pode sair no meio da madrugada para dar uma volta em Nova York sem pedir minha permissão ou avisar alguém? — Grita sua mãe com uma cara nada boa. Seu pai, depois de muito tempo em silêncio, finalmente se levanta para defendê-la.

— Na verdade, Clary, ela pediu minha permissão e eu deixei que ela fosse. — Sua mãe balança a cabeça negativamente, como se não pudesse crer no que Jace estava dizendo. — Acabei esquecendo-me de avisá-la sobre a saída dela.

— E eu também sabia onde ela estava. — Will comentou, tirando os cabelos que caíam em seus olhos. Adalind subitamente imagina a quantidade de garotas que cairiam mortas neste exato momento, apenas por este gesto simples do seu irmão.

— Parece que todos aqui sabiam. — Ela suspirou de frustração. — Estou rodeada de traíras em minha própria família? — Jace sorri e abraça Clary forte, afagando-lhe os cabelos. Isto imediatamente a acalma e seu rosto fechado rapidamente também se torna um sorriso. Adalind desejava do fundo do coração um dia encontrar alguém no mundo com o qual ela pudesse dividir uma vida e ter uma relação de amor tão grande quanto à dos seus pais. Eles simplesmente se encaixam e na cabeça de Adalind era a coisa que fazia mais sentido para ela.

— Não diga isso, meu amor. Você só precisa aceitar a ideia de que eles não são mais nossos pequenos bebês, que eles agora são grandes e bons Caçadores de Sombras, tão fortes quanto qualquer um de nós. — Ele olha orgulhoso para seus filhos.

— Eu sei, eu sei. — Clary respirou fundo e caminha até Adalind e seu irmão, os abraçando. — Só me prometa que da próxima vez vai falar comigo também.

— Claro, me desculpa por te preocupar. — Responde a garota enquanto tem seus cabelos afagados por ela. Sua mãe podia ser bem pequena, mas possuía o melhor abraço do mundo.

— Agora vão dormir, porque amanhã teremos visitas e sua tia Isabelle e tio Simon estarão voltando de Idris com George. — Adalind arqueia as sobrancelhas em sobressalto. Fazia quase quatro anos que ela não via George e agora ele estava mudando definitivamente para o Instituto de Nova York, junto com a família. Will sorri de lado, bastante satisfeito. George e Will sempre foram amigos inseparáveis desde a infância, até que seus tios precisaram passar um tempo em Idris. Ele e seu irmão sempre conversavam online e Adalind tinha quase certeza de que eles se tornaram parabatai muito em breve.

— Quem vai nos visitar, mãe? — Pergunta Will com curiosidade. Sua voz, como sempre, parecia de alguém que estava se divertindo com alguma ideia maluca.

— Ah, Alec e Magnus estão finalmente retornando de sua longa viagem pelo mundo, com Max. — Clary junta às mãos sem conseguir conter a animação. — Parece que todos resolveram retornar às raízes, não é, Jace?!

— Parece mesmo. Já estava com muitas saudades de todos. — Jace fala com o tom nostálgico de quem está lembrando-se de uma aventura passada. — Agora vamos todos dormir. Acho que este drama familiar se encerrou por hoje.

— Tem razão, boa noite pai, mãe! — Adalind se despede enquanto sobe as escadas. Will anda ao seu lado e assobia baixo.

— Escapou por pouco, irmãzinha.

— Fico lhe devendo uma. — Diz, dando de ombros. — E ao papai também.

— O que você espera que aconteça amanhã? — Ele pergunta quando finalmente param de frente para a porta de seus respectivos quartos.

— Eu realmente não faço ideia, Will, mas posso dizer que será um dia bem interessante. — Will revira os olhos e bate na mão da irmã, a cumprimentando.

Adalind abre a porta do quarto e quando está prestes a fechá-la, lembra de algo importante.

— Will! Sabe o problema de vampiros que você me pediu para resolver? — Ele faz que sim com a cabeça e se recosta na porta. — Fui forçada a matar três, porém, consegui tirar informações de um deles.

— O que ele disse?

— O vampiro disse que havia se alimentado de alguns humanos em uma balada e que após isto tudo se tornou estranho e ele não conseguia controlar suas ações. — Ele franze o cenho, aparentemente tão confuso quanto a irmã.

— É melhor que quando acordarmos, conversemos com papai sobre isso. Tenho quase certeza de que ele saberá imediatamente o que fazer. — Adalind concorda com a cabeça e lhe deseja boa noite.

Nota do Autor

É minha primeira fanfic baseada em uma obra que já existe então paciência gente.

  • Os personagens aqui citados serão de autoria mista. Alguns são de propriedade de Cassandra Clare e outros como, por exemplo, a Adalind, Will e George são de minha autoria.
  • Plágio é crime. Por favor, sejam criativos e construam suas próprias ideias.
  • Deixo logo uma aviso claro: para as pessoas que ainda não leram "Contos da Academia dos Caçadores de Sombras" PODE CONTER ALGUNS SPOILERS SOBRE O DESFECHO DE ALGUNS PERSONAGENS NESTA FANFIC .
  • Capítulo betado por Pipa do PD.
  • ૪ Aproveitem a leitura :)