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Por Thayssl Parte da continuidade de Bloodstream.
Primeiro vem a benção de tudo o que você sonhou, mas aí vêm as maldições de diamantes e anéis. A princípio pelo menos, tinham seu encanto, mas agora não dá para separar o falso do verdadeiro.

– Gold, Imagine Dragons.

Na Sala de Treinamento, George Lightwood treinava freneticamente com Will. Eles arremessavam algumas facas e normalmente George era muito bom nisso. Porém a presença de outra pessoa no local inquietava e desviava sua atenção. Adalind estava do outro lado da sala executando movimentos de ataque precisos com sua lâmina serafim. Ela vestia sua roupa de treinamento que consistia em uma calça confortável preta e um top, que deixa seu abdômen a mostra, da mesma cor. Seus cabelos ruivos com tons dourados se destacavam do resto da vestimenta e seus olhos cor de ouro se iluminavam assim como toda sua expressão enquanto lutava. Ao tentar observá-la melhor, George acaba errando mais uma vez.

— Cara, já é a segunda vez hoje em que você erra o centro do alvo. — Will comenta e arremessa uma de suas facas quase sem olhar, acertando no centro. — Algo errado?

— Nada demais. — Responde George jogando outra de suas facas, desta vez acertando o centro.

— Algo está incomodando você. — Will segue seu olhar e percebe que George olha constantemente de soslaio para sua irmã. Ele sorri quase incrédulo. — Não acredito.

— O que?

— Você ainda tem uma queda pela minha irmã mesmo depois de tanto tempo. — George quase deixa cair umas das facas no próprio pé.

— Como assim? Ficou maluco?! Aquilo era paixonite de criança. — George tenta ao máximo ser convincente. O problema era que Will conseguia ver através dele e quase sempre podia até mesmo prever o que ele iria dizer. Se tornariam parabatai afinal.

— Eu percebi que tem olhado para ela, quase com admiração. Sei que Adalind é incrível e eu considero você o tipo de homem que seria capaz de protegê-la tanto quanto eu, mas se você não contar para ela o que sente e tentar a chance ela nunca perceberá. — Will cruza os braços parando para olhar para Adalind. Ele sempre fazia aquela expressão quando olhava para ela. De amor, proteção e profundo carinho. George se prepara para responder no momento em que a porta da Sala de Treinamento se abre. Jace e Clary adentram o local acompanhados por Isabelle e Simon, Magnus e Alec e logo atrás Max. George observa eles se aproximarem, seus pais sorrindo para ele.

— Vejo que tem treinado arremessos de faca com Will. — Seu pai comenta. George da de ombros, brincando com uma das facas.

— Estamos tentando descontrair. — Diz George. Sua mãe também se aproxima.

— Fico tão orgulhosa de te ver em combate. Lembra-me bastante dos tempos em que eu tinha sua idade.

— Não precisa exagerar tanto mãe. Você era uma guerreira bem melhor que eu. Salvou o mundo.

— Não desmereça seus pequenos feitos, filho. Um dia terá seu próprio momento de glória também.

— Só espero que este momento de glória não precise ser necessariamente uma guerra. — Comenta Will sorridente como sempre. Lembrava muito o seu pai, principalmente na maneira descontraída de agir.

Do outro lado, Adalind para seu treino e se junta aos outros. Ela respirava um pouco pesado e tinha suor por todo o corpo. Ela para próxima ao Will e, George nota, olha para Max com certa tristeza. Era difícil para George encarar o fato de que Adalind sempre parecia notar todos a sua volta. Menos ele.

— Filha, Alec gostaria que você auxilia-se Max no treino com lâminas. Seu irmão reforçará a luta corpo a corpo com ele. — Adalind arregala os olhos em surpresa. Ela não parecia muito animada com a ideia, assim como Max aparentava completo horror.

— Pai, sei que deseja o melhor para mim, mas não vejo a necessidade de aprender essas coisas quando já tenho domínio da magia... — Alec pede que Max faça silêncio.

— Entendo que gosta bastante de ler seus livros de feitiço e de estudar em casa com Magnus, mas eu realmente me sentiria mais tranquilo se você pudesse se virar sem ajuda da magia também. — Isto parece ser o suficiente para deixar Max quieto. Ele assente um pouco relutante.

— Quando começaram os treinos? — Pergunta Adalind. Max a encara rapidamente, logo tratando de desviar o olhar.

— Espero que amanhã neste mesmo horário. O primeiro treino será com Adalind e o segundo com Will.

— Posso trazer o George para me ajudar com os treinos? Luto melhor ao lado dele. — Jace sorri de lado e automaticamente troca olhares com Alec. Ele entendia exatamente como seu filho se sentia e tinha orgulho dele ter encontrado seu parceiro tão cedo e ainda mais por ele ser o filho de Izzy e Simon.

— Claro que pode filho. Falando nisso, quando poderemos marcar sua cerimônia parabatai? — Todos os olhares se voltam para Will e George. Eles se olham, suas atitudes esbanjando certezas e companheirismos.

— O quanto antes. Estamos prontos. — Eles trocam um toque de mãos e sorriem. Adalind sente uma onda de calor em seu corpo, algo que sempre sentia quando seu irmão estava feliz.

— Então está decidido. Falarei com os Irmãos do Silêncio e marcarei a cerimônia. Enquanto isso decidam quem serão suas testemunhas e me falem. Estou muito orgulhoso de vocês. — Jace sorri e abraça seu filho. Ele bate algumas vezes nas costas de Will e fala algo em seu ouvido que parece deixá-lo satisfeito.

— Eu e sua mãe sentimos o mesmo filho. — Simon e Izzy abraçam forte George. Ele se sente muito amado e mais uma vez agradece ao Anjo por ter uma família tão maravilhosa. Clary também beija seu filho na bochecha e abraça George que nota mais uma vez o quanto ela era forte apesar de pequena.

— Não ficarei fora dessa. — Anuncia Adalind. Ela abraça Will com força bagunçado todos os seus fios loiros. Em seguida, ela para de frente para George que fica trêmulo.

— Cuide bem dele, ok? — Diz ela e o abraça. Adalind cheirava a cerejas e suor e sua cintura era fina devido ao seu corpo esbelto. George se controla para não inalar seu cheiro e, pelo olhar de Will, ele deveria estar no mínimo com uma expressão bizarra de susto e desejo.

— Vou cuidar. Sempre cuidarei. — Responde George quase atropelando as palavras. Ela sorri de lado, naquele momento parecendo muito com sua mãe, e volta para o lado de Will encarando nada em particular.

Naquele momento uma mensagem chega ao celular de Alec. Ele o retira do bolso imaginando que Lily precisasse de ajuda em algo, até que nota um nome que o deixa bem feliz.

— Aconteceu algo? — Magnus pergunta preocupado. Alec nega várias vezes, parecendo extremamente animado.

— Era uma mensagem do Rafe. Disse que estará voltando para Nova York a qualquer momento. — Todos fazem uma expressão de surpresa e felicidade. Adalind estala os dedos como se finalmente notasse a ausência dele.

— Pelo Anjo, eu havia esquecido completamente de perguntar sobre Rafael. Onde ele está? — Ela pergunta para Alec e Magnus. Eles trocam olhares divertidos.

— Rafael pediu para ficar por mais algumas semanas em Buenos Aires quando decidimos voltar para casa. Aparentemente ele teria encontrado mais um “amor de sua vida”. — Ele suspira. — Não tive como dizer não para ele.

— É quase impossível dizer não para Rafael. — Responde Adalind relembrando de uma vez em que ela e Rafael quase se deram mal ao participar de uma Balada do Submundo. Rafael Lightwood-Bane é o irmão Caçador de Sombras de Max e filho adotivo de Alec e Magnus. Ele era um perfeito Magnus. Amava a música e adorava dançar e fazer novos amores. Por conta deste ultimo detalhe Rafael tinha frequentemente seu coração partido muito rápido e se curava com praticamente a mesma rapidez. Ele era sem dúvidas o amigo e confidente perfeito, mas não namorado. Este pensamento divertia Adalind.

— Eu não posso deixar de concordar. Rafe é realmente impossível. — Todos na sala concordam sorrindo. Estava um clima bem agradável e familiar naquele momento.

— Bem só viemos até aqui para ver como as coisas estavam e para conversar com vocês dois. — Jace fala para Adalind e Will. — Ainda tem um tempo até o almoço então se quiserem continuar treinando estamos de saída.

— Ficarei mais um tempo aqui papai. Estava precisando de um pouco de ação. — Responde Adalind. Jace parece satisfeito com a resposta da filha e beija sua testa antes de sair.

— Eu e George precisamos comprar... Algumas peças para amolar nossas facas. Voltaremos antes do almoço. — Clary assente e os garotos se vão, George um pouco relutante em ficar longe de Adalind.

— Iremos conversar bastante sobre essa sua paixão...

— Nem pense nisso Will. — George cochicha de volta.

— Mas eu já pensei jovem Lightwood. Até mesmo te disse que conversaríamos sobre isto. Nem adianta querer fugir.

[...]

Max estava deitado em sua cama no Instituto. Ele tentava assimilar tudo que seu pai havia dito.

“— Entendo que gosta bastante de ler seus livros de feitiço e de estudar em casa com Magnus, mas eu realmente me sentiria mais tranquilo se você pudesse se virar sem ajuda da magia também.”

Não tinha como dizer não para ele. Não quando ele demonstrava tanta preocupação com seu bem estar.

Max estava pensando, tentando imaginar como seria torturante ficar tão próximo de Adalind obrigatoriamente todos os dias por várias horas afim. Ele constantemente tentava afastá-la e mantinha seus sentimentos no local mais profundo dentro de si, mas era só vê-la em sua frente que tudo desmoronava. Ela na sala de treinamento, com os cabelos ruivos molhados, bastante de seu corpo amostra e olhar determinado fez Max tremer em sua própria base. Ele viu o olhar triste que ela deu ao fitá-lo e aquilo o deixava despedaçado, mas era a única maneira. Adalind não podia se aproximar de alguém tão corrompido como ele. Ela era um anjo, um ser maior, uma alma pura, uma luz que brilhava forte e constante, enquanto ele carregava um sangue manchado pelo demônio, com marcas em sua própria pele e ele nada poderia fazer para mudar isto.

Ao mesmo tempo ele não conseguia suportar a ideia de vê-la com outra pessoa e sentia que George Lightwood nutria algum sentimento por ela. Era quase palpável a tensão no olhar do garoto ao tocar em Adalind. Max não o culpava. É assim que alguém se sente quando chega perto demais do sol.

Ele deveria torcer por ela, torcer para que ela encontrasse alguém merecedor dela. Alguém que irradiasse tanta luz quanto ela. E ele tinha noção de quão egoísta ele era, mas o que o amor era se não egoísmo?

Depois de horas divagando fortemente sobre o assunto ele decide conversar com a única pessoa que ele poderia falar sobre seus sentimentos conflituosos.

Rafe.

[...]

Era madrugada e Will batia na porta de Adalind. Ele realmente desejava que a irmã estivesse acordada, pois sempre se sentia mal quando atrapalhava seu sono.

— Will? Aconteceu alguma coisa? — Ela aparece na porta. Adalind veste roupas largas e caseiras e seu olhar é de confusão. Aparentemente ela estava lendo e não dormindo.

— Preciso que venha conosco em uma missão de reconhecimento.

— Conosco? — Sua irmã vasculha o local com o olhar. Ela ergue as sobrancelhas parecendo finalmente ter notado alguém por trás de Will.

— Ah. Olá George! Você realmente não deveria ficar tão calado assim. — Will sente a respiração de George acelerar. Ele aperta seu punho como um aviso: Nós já conversamos sobre isso, fique calmo e aproveite a oportunidade que estou dando.

— Oi Adalind. — É tudo que George diz. Se Adalind estranhou seu comportamento, não demonstra.

— Que tipo de missão é esta?

— Ouvimos falar que alguns lobisomens também apresentaram um comportamento estranho em relação aos mundanos. Queremos vigiá-los e entender se estão sendo atingidos pelo mesmo problema dos vampiros. — Will encara Adalind esperando sua resposta. Ela morde o lábio levemente.

— Eu vou. Espere só eu colocar minhas roupas de combate. — A garota fecha a porta rapidamente.

— Você só pode ser idiota George! Se escondendo atrás de mim? Iremos a uma missão juntos, mas isso também é uma oportunidade que eu estou dando para que você avance um pouco com Adalind. — Will bate no peito de George com certa força. George arregala os olhos e devolve a tapa.

— Você está louco? Estamos na frente do quarto dela. Adalind pode nos ouvir! — Will sorri sarcástico.

— Eu conheço minha irmã sei exatamente até quanto ela pode ouvir, mas agora ela está trocando de roupa. Se ela não estiver concentrada não consegue escutar uma frequência tão baixa. — Às vezes a relação entre Will e Adalind o assustava. George tinha a impressão de que se um dia, hipoteticamente, ele conseguisse beijar Adalind sentiria como se estivesse beijando Will. Era um pensamento assustador.

A porta se abre novamente e Adalind sai de lá vestindo uma roupa muito parecida com a de Will e George, a única diferença sendo a acentuação que a mesma dava em suas curvas. Ela carregava uma lâmina serafim nas costas e sua estela no sinto. George toca levemente em seu arco e flecha, a arma preferida de seu pai, que também havia se tornado sua arma. Eles se juntam e começam a deixar o Instituto em silêncio prontos para tudo.

As docas no East River eram provavelmente um dos locais mais ativos pela madrugada. Muitos pescadores e transportadoras trabalhavam constantemente despachando mercadorias que acabaram de chegar de barcos ou navios. Porém naquela área mais afastada propositalmente do resto tudo era bastante calmo. Will, George e Adalind estavam parados e escondidos por trás de um barco qualquer para não serem visto. Eles ativam suas runas de invisibilidade e a de silêncio para evitarem ao máximo confusão.

— Vocês dois poderiam verificar o lado mais próximo do rio? Se avistarem ou ouvirem algo acendam a pedra de luz enfeitiçada e saberei que estão com problemas. — Adalind assente para o irmão e olha para George como se estivesse perguntando se ele iria com ela. George encara seu futuro parabatai com olhos fulminantes e em seguida sorri de lado para Adalind indo atrás dela.

O East River naquela região parecia podre e triste. Suas águas se movimentavam lentamente carregado de um pouco de sujeira. Adalind põe a mão no nariz tentando conter o fedor que insiste em adentrar suas narinas e se abaixa para verificar uma pegada.

— Acho que eles estão nessa direção. Tenho motivos para acreditar que este cheiro não vem do rio. — George concorda com ela. Algo naquele odor parecia de algo queimando e morte. Ele decide segurar o braço de Adalind e mantê-la mais perto de si.

— Fique ao meu lado. Será mais fácil se estivermos juntos. — Incrivelmente George não se sente envergonhado ou corado após dizer isto. Ele fala com firmeza e Adalind concorda com ele.

— Olhe ali! Tem algo vindo pela direita. — Eles se mantêm na escuridão e observam alguns homens passarem carregando caixas com um símbolo que Adalind nunca tinha visto: Um lírio com as iniciais LS cravadas em dourado. Pela quantidade de caixas que os homens carregavam foi fácil de constatar que se tratava de lobisomens.

— Abram uma das caixas! Quero verificar se o carregamento veio da maneira certa. — Um homem alto e muito musculoso grita para os outros. Uma das caixas é aberta e o homem sorri abertamente, colocando um dos conteúdos da caixa nas mãos.

— Eu sabia. — Sussurra George que naquele momento estava com o rosto muito próximo ao de Adalind. — Esse cheiro podre ao ser queimado não podia ser outra coisa.

— São drogas, não são? — George assente.

— Metanfetamina e provavelmente Yin Fen. — Adalind o encara assustada. — Eu também estou surpreso. Há muito tempo não ouvia falar de Yin Fen sendo comercializado até mesmo no mercado negro dos feiticeiros. Isto é muito preocupante, temos que ir agora contar tudo que sabemos a seus pais. — George retira de seu bolso sua pedra de luz enfeitiçada e automaticamente ela brilha mais forte. Ele se volta novamente para Adalind e segura em seu braço para leva-la a um local mais seguro. Após recuarem alguns passos eles dão de cara com um jovem que aparentava ter a idade deles. Ele alerta um dos homens que esta ao seu lado que se aproxima deles.

— O que os nephilim estão fazendo em nosso território sem permissão? — George retira uma flecha da aljava e a prepara para atirar.

— Estamos investigando e temos provas de que vocês claramente infringiram a lei. — Adalind continua com a expressão calma de braços cruzados.

— O que nós filhos da lua fazemos não diz respeito a sua raça. — Alguns lobisomens já cercavam o homem que conversava com eles. Precisamos sair logo daqui antes que chamemos muita atenção dos mundanos, pensa Adalind.

— Quando o que vocês fazem envolve uma droga tão maligna e que pode causar tantos malefícios para a comunidade no geral então sim diz respeito a nós. — Um barulho é ouvido no mastro de um dos barcos e em seguida Will aterrissa com maestria na frente de George e Adalind.

— É melhor que vocês nos deixe ir pacificamente ou então a situação para vocês só irá piorar. — Will ergue sua lâmina serafim e com os cabelos caídos nos olhos e a expressão perversa de um guerreiro parecia bastante com um anjo vingador.

— Vocês não nos assustam. São meros novatos. Vamos matá-los e em seguida queimaremos os seus corpos, assim nunca poderão ligar suas mortes a nós.

— Então eu sugiro que venham tentar. — Will corre e puxa as cordas do barco, derrubando milhares de caixas em diversos lobisomens. Ele pega impulso e golpeia o homem com que conversavam com sua lâmina, espalhando gostas de sangue pelo chão. Ele toma cuidado para não ferir eles mortalmente.

— Vamos ajudá-lo. — Grita George. Ele dispara sua flecha que atravessa o braço de um dos lobisomens. Por causa da ponta de prata aquilo é o suficiente para imobilizá-lo. Adalind avança até seu irmão e o ajuda a combater outros lobisomens, sempre atacando as juntas tentando apenas para-los.

— Will eles são muitos. Precisamos recuar agora. — George protege a retaguarda de Will o máximo que pode. Adalind está ao seu lado, a expressão em seu rosto de pura felicidade e adrenalina.

— Concordo plenamente meu caro amigo. — Ele perfura a coxa de um dos lobisomens e nota que mais homens também se transformando vêm vindo. — Vamos agora!

E então eles correm.