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Por Thayssl Parte da continuidade de Bloodstream.

Cortando caminho como podiam Adalind, seu irmão e George fizeram o máximo para despistar os lobisomens enfurecidos do East River. Aparentemente eles não tiveram coragem de persegui-los no meio de tantas pessoas ou então simplesmente os perderam de vista. Eles já se encontravam no centro de Manhattan onde apesar do horário ainda estava consideravelmente movimentado. Adalind já era capaz de visualizar o Instituto, seu lar, crescendo em direção ao céu com toda sua imponência e reverência. Will caminha mais a frente e abre as portas do Instituto subindo rapidamente as escadas. Ela o segue de perto e adentra seu quarto respirando com dificuldade.


— Esta foi por muito pouco. — Responde a garota sentando-se na cama do irmão. Adalind sente uma pontada em sua clavícula e nota que a mesma estava com uma coloração escura, o que indicava que ela deveria ter quebrado algo durante a luta. George, que passava ao seu lado no momento, é surpreendido pelos dedos finos de Adalind segurando seu pulso.


— Poderia fazer um iratze em mim? Acho que quebrei a clavícula ou algo assim. — George ergue as sobrancelhas, extremamente chocado. Era a primeira vez que via Adalind pedir sua ajuda em algo. Will sorri para seu amigo encorajando-o e entra em seu banheiro trancando a porta.


— Claro. — Ele tenta soar o mais calmo possível. George assiste cautelosamente Adalind retirar os restos de sua jaqueta e puxar a camiseta um pouco para baixo dando acesso a toda a extensão de seu pescoço. O jovem Lightwood engole em seco, e segura a estela com força, desenhando as linhas negras com precisão. Se Adalind sentiu algum desconforto, não demonstrou.


— Muito obrigado. — Ela diz reajustando a camiseta. — Não só pela iratze, mas também por ter tentado me proteger quando as coisas começaram a dar errado. Agradeço por ter feito o mesmo por Will.


— Não poderia deixá-la correr perigo. — Ele arriscar olhar para ela e a garota o encara diretamente com seus olhos dourados. — E Will é meu melhor amigo e futuro parabatai. Um dia terei minha vida ligada a dele. Nunca permitiria que ele se machucasse.


George era incapaz de ler sua expressão. Ela tinha um misto de divertimento, concordância e um algo a mais que ele não entendia. "Nesses momentos a conexão de Will com Adalind cairia bem", Pensou ele. Estava reunindo coragem para perguntar-lhe algo.


— Adalind... Se por acaso... Se eu... — Ele falha miseravelmente em formar uma frase coerente. Ela o observa com duvida no olhar.


— Está com algum problema? — Perguntou ela com um leve ar de preocupação. Aquilo o chocou ainda mais. Ela pareceu preocupada com seu bem estar.


— Não, nada. Só queria saber se... — Ele solta o ar com força. — Se pensaria na possibilidade de... Sairmos juntos.


Adalind se levanta devagar com um leve espanto. Ela parece estar um pouco ruborizada dando destaque as suas sardas mesmo na pouca luz fornecida pelo quarto durante a noite.


— Sairmos juntos? — Ela gesticula um pouco. — Tipo um... Encontro?


— Sim. — George fica de costas para ela subtamente desejando não ter se precipitado tanto. Ele pragueja baixo em espanhol.


— Uou. — Ele ouve os passos dela se aproximando mais de seu corpo. — Depende de o que vamos fazer. — O coração de George quase para. Ela havia aceitado.


— Que tal assistirmos um filme? Podemos ver o novo Star Wars. Já vi mais de uma vez, mas seria interessante vê-lo com você. — Adalind encosta-se à parede sorrindo de lado. Simon e sua mãe eram parabatai e compartilhavam do mesmo gosto pela cultura pop. Por causa de ambos ela assistiu diversos filmes e séries durante a infância e Star Wars era um dos seus preferidos.


— Por mim está tudo ótimo. — George sorri abertamente para ela e limpa a garganta.


— Depois de amanhã está bom para você? — Ela assente. A porta do banheiro se abre e um Will completamente encharcado sai de lá. Ele havia conseguido retirar todos os resquícios de sujeira e agora, Adalind notara, possuía um corte nada bonito no abdômen.


— Will você precisa de um irat...


— Eu sei Linds, está tudo bem. Foi apenas um dos lobisomens que acabou fincando uma das garras. George cuidará em por uma iratze em mim. — Ele troca olhares com a irmã e por fim ela entende que ele não está mentindo.


— Se é assim então vou dormir. Quando acordarmos contamos a todos o que ocorreu. Agora eu só preciso é de um grande descanso. — Ela deixa o quarto e antes de fechar a porta sorri levemente para George. Will retira a toalha molhada da cintura e joga no rosto de George que desperta de seu devaneio.


— Adalind não se importaria que eu quebrasse alguns de seus ossos, certo Stephen. — George comenta batendo em Will com a toalha. George era a única pessoa que vez ou outra chamava Will pelo nome do meio. Isto o irritava se viesse de qualquer outra pessoa, mas não de George.


— Minha irmã eu não sei, mas é certo de que milhares de garotas fariam fila para castiga-lo Maxwell. — Seu futuro parabatai faz careta ao ouvir seu segundo nome e foge da fúria de Will correndo para o banheiro.


[...]


Adalind deita seu corpo dolorido e cansado, após um dia longo. Seus ferimentos ainda estavam cicatrizando e apesar de ter desenhado uma runa de energia tinha plena consciência de que o dia seguinte seria difícil. Ela pensa um pouco sobre o pedido que acabara de receber. Nunca havia pensado em George como um possível 'paquera' ou algo do tipo. Para ela, George sempre foi o melhor amigo de seu irmão que sempre o deixava feliz. Apesar disto quando George fez o pedido tão inesperado ela se viu aceitando de prontidão. Ele assim com ela mesma adorava o mundo nerd graças aos seus pais e assim Adalind sabia que passariam um bom momento juntos. Além do mais ela tinha vontade de conhecê-lo melhor.


A garota guarda sua estela e lâmina serafim próximo ao travesseiro e se aconchega em sua cama, escondendo-se nas cobertas. Em poucos minutos é vencida pelo cansaço, dormindo profunda e tranquilamente.


Na manhã seguinte todos no Instituto estavam nervosos. Adalind, Will e George haviam solicitado uma reunião na biblioteca depois do café da manhã e desde então a inquietude dominou o lugar. Adalind parecia derrotada e sonolenta e sentada desenhava uma runa de resistência e concentração. Rapidamente ela se sente bem e imagina que aquilo deveria mantê-la firme por algumas horas.


— Filha eu estou realmente preocupada. O que aconteceu? — Sua mãe a avalia da cabeça aos pés e nota uma pequena cicatriz em sua clavícula com uma iratze desbotada. — Você está machucada?


— Todos nossos ferimentos foram superficiais e utilizamos iratze para nos curar. Explicaremos tudo agora. — E então começou a contar.


Revelou aos pais que Will e George tinham motivos para acreditar que os lobisomens estavam também agindo estranho com os mundanos e que por isso foram investigar as docas do East River. Lá eles haviam espionado e descoberto que os lobisomens estavam recebendo drogas de uma marca chamada LS (do qual não tinham conhecimento). Adalind também contou que George reconheceu as drogas nos caixotes com sendo Metafetamina e yin fen.


— Yin fen? Você tem razão disso? — Pergunta Magnus com o olhar assustado. Ele parecia lembrar-se de algo muito desagradável.


— Infelizmente sim. Eu já estudei um tempo no Instituto da Cidade do México e lá eles nos ensinaram sobre certas drogas do submundo. Se a descrição dela estiver correta aquele era exatamente o cheiro da droga. — George senta ao lado de Adalind e sorri timidamente para ela. A jovem retribui o sorriso.


— Isto é muito grave. Muito mesmo. Como conseguiram voltar para o Instituto? — Seu pai pergunta. Adalind descreve o breve combate aos lobisomens e a fuga por dentro de ruas movimentadas. Por fim acabaram se misturando na multidão e foram capazes de voltar em segurança.


— Will me alertou que precisávamos ir imediatamente ao destino. Imaginamos que seriamos o suficiente para contê-los e por isso não acordamos vocês.


— Filho você não pode levar sua irmã e seu quase parabatai para uma missão tão perigosa sem nos avisar ou pedir ajuda. — Jace caminha um pouco incerto com Clary ao seu lado. — Terei que comunicar a Clave.


— Não Jace! Primeiro deixe-me conversar com alguns conhecidos do submundo para tentar descobrir algum nome ou tentar confirmar se o pó é realmente yin fen. — Magnus se pronuncia levantando-se rápido demais.


— Tudo bem, mas você não tem muito tempo. Isto é uma violação gravíssima aos Acordos e tudo que pregamos durantes todos esses anos de paz. A Clave precisa investigar mais a fundo. — Alec põe uma mão acolhedora sobre a de Magnus e anuí para Jace, claramente concordando com a decisão do parabatai. "Ele amadureceu tanto. Se tornou um líder fantástico deste Instituto." Pensou Alec com alegria no coração.


— Enquanto isto poderíamos enviar Max e Adalind para uma busca por uma amostra do pó assim eu seria capaz de usar minha magia para determinar sua origem e sua força. Will e George vão atrás de mercadores. — Max que há bastante tempo nada dizia enquanto lia em um canto afastado da sala ergue a cabeça.


— Adalind não poderia ir com Will ou George? Não imagino porque ela precisaria de um feiticeiro. E eu nem mesmo iniciei ainda meu treinamento com lâminas.


— Ele tem certa razão Magnus, Max não tem treinamento e esta missão é muito perigosa...


— Meu filho possui magia. O poder que ele tem é quase tão grande quanto o meu. — Magnus passa a mão esquerda nos cabelos desgrenhados de Max; Ao executar este ato, Adalind vê pela primeira vez um vislumbre de paz no olhar do garoto. — E só Max seria capaz de identificar a droga com precisão e analisa-la. Não adiantaria muito mandar Adalind sozinha.


Jace e Clary se olham por um instante. Parecem discutir em silêncio, algo que Adalind achava fantástico. Anos de união realmente tornava duas pessoas um só.


— Pai, mãe, eu quero fazer isto. Se esta é a maneira que posso ajudar então irei com o maior prazer e cumprirei minha missão. — A voz de Adalind finalmente é ouvida. Ela lança um olhar distante para Max, quase o desafiando.


— Então está resolvido. Conversaremos mais sobre os detalhes da missão durante o jantar. Por enquanto preciso fazer algumas pesquisas e conversar um pouco com Magnus.


— Levarei Max para a Sala de treinamento. — A garota ruiva anui para Max como se dissesse "siga-me" e caminha em direção as escadarias sem olhar para trás.


[...]


A biblioteca do Instituto era de longe um dos locais mais incríveis. Will e Adalind haviam aprendido a amar os livros e aprecia-los fortemente, a tratá-los como amigos. Naquele momento, Will e George estavam sentados entre a sessão de livros de magia e doenças conhecidas, com pilhas de livros sobre suas mesas. Will, cansado da leitura extensa decide amolar algumas de suas adagas enquanto observava o trabalho rápido que seu amigo fazia. George de fato parecia animado e interessado em cada uma das páginas daqueles livros o que surpreende levemente Will. Ele sabia que George tinha um gosto pela leitura também, mas nunca o viu lendo histórias demoníacas como se fosse um pequeno conto da Disney.


— É realmente fantástico. Encontrei dados sobre o surto de Yin Fen em Londres, 1878. Aparentemente Axell Mortmain comercializou boa parte da droga existente com os lobisomens, já que no estado de dependência da droga eles eram facilmente manipuláveis e trabalhavam de graça para ele. — Will desvia sua atenção da adaga.


— Já ouvi essa história antes. Ele foi eventualmente derrotado pelo Instituto de Londres, especialmente por Will Herondale e seus companheiros. — Os olhos verdes de Will brilham como esmeralda. — O meu nome foi dado em homenagem a este homem a quem realmente admiro...


— Porque ele descobriu a Varíola Demoníaca. Eu sei. Você sempre me diz isso Stephen.


— Ninguém acreditava nele e depois do caso de Benedict Lightwood finalmente todos perceberam quem tinha razão. — George faz uma leve careta.


— Enquanto William Herondale tinha seu momento de felicidade, a família Lightwood caia em desgraça. Foi difícil reconquistar a confiança e o respeito dos outros caçadores de sombras. Meu avô me contou sobre como Gideon Lightwood restaurou a família e por este motivo o respeito bastante. — Will o encara receoso.


— Sua família é incrível George e de certa maneira também é a minha. Nossos ancestrais, Lightwoods, Fairchilds, Herondales e Carstairs possuíam um forte laço que jamais se romperá. Não me inspiro em Will Herondale apenas por suas crenças; Conheço seu antigo parabatai Jem e a antiga esposa Tessa. A relação que Will tinha com Jem era tão poderosa e bela que me fez desejar encontrar alguém assim desde muito pequeno. — Ele crava a adaga na mesa de frente para seu amigo. — Espero um dia poder firmar um compromisso com você desta magnitude. Quero protegê-lo, George Lightwood, sendo o melhor parabatai que o Anjo permitir.


— Você já é o melhor amigo que eu poderia jamais imaginar ter William Herondale. A runa parabatai será apenas uma ligação visível entre nós. — E eles apertam a mão um do outro, os cabelos dourados de Will contrastando do castanho claro de George, o sol invadindo e acalentando suas peles. Naquele momento os garotos faziam uma promessa silenciosa sobre um futuro próximo, com os corações pulsando com o amor Ágape* que sentiam.


Os corredores do Instituto eram largos e extensos. Adalind respira fundo, suas botas com pequenos saltos emitindo leves pancadas contra o chão de madeira. Ela tinha total consciência da presença muda de Max um pouco distante dela, conseguindo ter quase que uma imagem clara em sua mente de como seus cabelos estava ou a maneira que ele andava. Chegava a ser quase engraçado o jeito como Max soava familiar para ela.


Ao ficar de frente a uma grande porta, ela destrava a fechadura de ferro e adentra a sala de treinamento sentindo-se rapidamente mais tranquila. Aquele local onde Adalind passava dia após dia treinando intensamente, às vezes sozinha, se empenhando para continuar sendo a melhor caçadora de sombras de sua geração.

— As roupas masculinas ficam logo ali. — Ela aponta para um armário próximo enquanto recolhe sua roupa de combate.

— Preciso realmente utilizar estas roupas? Não sou um caçador de sombras. —Max exclama em tom de irritação. Ele vestia um moletom azul escuro e uma calça jeans desfiada. Glamurado, os olhos azuis se destacavam com aquela escolha de roupa e com os cabelos tão bagunçados ostentava uma aparência extremamente jovial. Adalind sabia que sua imortalidade já estava começando a torná-lo imaculado e por algum motivo àquela visão fazia o coração dela saltar dolorosamente em seu peito.

— Se prefere ser acertado diretamente por uma lâmina serafim e morrer, por mim está tudo bem. Eu, apesar de que nem sempre pareça, ainda aprecio minha vida. — E rapidamente entra no vestiário. Pôr as roupas de combate era tão fácil para Adalind quanto deitar e dormir ou matar seis demônios Ravener em uma única noite. Porém Max parecia estar lutando para ajustar algumas partes de sua roupa.

— Achei que acabaria usando magia para se vestir. — Ela avança até Max e faz menção de ajudá-lo. Ele recua um passo.

— Gastar magia com coisas banais é um pouco fútil. Sou totalmente capaz de fazer isto sozinho. — Seus dedos longos continuam travando uma batalha contra as amarras dos ombros.

— Gostaria de lembrá-lo que não temos muito tempo. Pretendo ensiná-lo ao menos o básico esta tarde antes de sairmos em missão então pare de resmungar e me deixe fazer isto de uma vez. — Ela segura as amarras e começa a cuidar delas com maestria. Não demora muito para o trabalho estar concluído. — Pronto, nem doeu.

— Muito engraçado, Adalind Herondale. — Sua voz rouca recita seu nome como poesia. Max possuía um leve sotaque do qual ela não conseguia identificar, provavelmente por ele ter passado muito tempo viajando pelo mundo, conhecendo assim várias culturas. Ela se arrepia e tenta ao máximo esconder o efeito que sua fala exerceu nela.

— Escolha sua arma. —Adalind vai até a estante de armas necessitando de um pouco de distância. Ela segura uma lâmina serafim grande, quase como uma espada. Segurá-la sempre trazia conforto ao seu coração, aquele peso tão familiar. Max para incerto ao seu lado e olha para a variedade de armas.

— Geralmente nós escolhemos uma arma que achamos melhor para lutar, como por exemplo, seu pai que usa o arco e flecha. Tia Isabelle usa um chicote de electrum, Simon também um arco. — Ela nomeia a lâmina e a mesma brilha em suas mãos. — Claro que todos sabem usar uma lâmina serafim e normalmente é com ela que acabamos batalhando, mas sempre que podemos levar nossas armas de preferência é melhor.

— Qual é a sua arma de preferência? — Max pega uma lâmina serafim de tamanho comum. Ele a segurava com as duas mãos como se não estivesse acostumado com aquele objeto.

— Eu luto com espadas. Meu pai pediu que fizessem uma para mim em Idris. Uma espada de grande porte demora a ser finalizada, mas acredito que ela chegará essa semana. — Os olhos de Adalind brilham só de pensar. — A primeira espada Herondale.

— Eu já te vi treinando. Aposto que consegue acabar com alguém até utilizando um graveto. — Era a primeira vez que ouvia Max elogiá-la. Isto a deixa sem graça e ao mesmo tempo radiante por dentro.

— Não posso deixar de concordar com você. Agora vamos começar este treinamento.

Os dois andam até o centro da sala. O lugar era iluminado por pedras enfeitiçadas e um pouco de luz natural também adentrava pelas pequenas janelas. Antes da reforma a sala de treinamentos não possuía janelas, porém o projeto feito por Jace e Magnus tornou o lugar mais confortável.

— Primeiro de tudo, monte a guarda desta maneira. — Adalind se posiciona segurando a lâmina com a mão direita. Max faz o mesmo devagar. — Durante uma luta tente analisar a movimentação do inimigo, descobrir seu lado dominante, medir sua força. Tudo isto servirá para que você possa ter uma noção de como se defender de seus ataques.

— Li alguns livros sobre luta com espadas e meu pai deu algumas dicas.

— Ah, eu esperava isso. Mostre-me o que você já sabe fazer. — E então Max começa a se movimentar. Ele realiza um bloqueio para cima, um desvio e logo após um ataque. Eram movimentos simples de luta, mas para surpresa de Adalind, bem executados.

— São bons movimentos. Claro que aprendemos tudo isto quando somos bem novos, mas isto aqui também é um tipo de iniciação então... — Adalind se prepara, mexendo sua lâmina com cuidado e maestria.

Ela começa. Salta para o lado e desfere um ataque contra um boneco, desviando de outro que vinha atrás. Ela sente a leveza do próprio corpo enquanto mudava de posição novamente, defendendo-se de um golpe perto de sua coxa. Com um pequeno impulso, pula sobre um boneco e o esfaqueia no peito derrubando-o. Não era o mesmo que está na batalha, com o sangue pulsando quente em suas veias, mas também a deixava feliz.

Max observava tudo extremamente admirado e imaginava se para o Anjo era divertido força-lo a ver Adalind sendo inalcançável. Ele sussurra um feitiço que permitiria que ele pudesse rever aquele mesmo momento quando quisesse. Max não conseguia dizer se fazia aquilo para tentar imitar seus passos ou se era apenas para poder tê-la sempre em seus pensamentos.

“Como se eu já não tivesse Adalind o suficiente em meus pensamentos.” Max divaga amargurado.

— Pronto. Tudo isto que fiz é o básico para uma luta com lâminas. Depois que meu irmão e George te ensinarem a luta corpo a corpo ficará cada vez mais fácil este modo de combate. — Adalind se aproxima de Max um pouco incerta. Fios de cabelo ruivo caiam em sua face, a trança se desfazendo. — Lâminas serafim não são tão eficientes com feiticeiros então eu estava pensando... E se fizéssemos uma espada alimentada por magia?

Max ergue as sobrancelhas. A ideia não era nada ruim.

— Isto é realmente algo que posso considerar. Conversarei com meu Papa para saber mais sobre um feitiço deste tipo. — Ele encara a lâmina serafim nas mãos de Adalind, o brilho celeste pulsando pelo contato de sua dona. — Vocês nomeiam suas lâminas com nomes de anjo, não é? Isto trás poder para ela.

— Sim. Por isso disse que não fazia tanto efeito para pessoas que não são nefilins.

— A sua brilha mais do que o normal. Pergunto-me por que. — Adalind examina a própria arma distraidamente, como se estivesse finalmente notando algo de novo nela.

—Talvez seja pelo excesso de sangue de anjo que corre em minhas veias e nas de Will. As pessoas em Idris comentam sabe, sobre eu e meu irmão sermos perigosos demais. — Ela olha em volta, parecendo procurar algo importante. — Já ouvi alguns comentários como: Porque os Irmãos do Silêncio não avisaram a Clave sobre esses dois? Não enxergam o perigo que eles representam? Eles são uma afronta ao próprio Anjo.

Era em momentos como esses que Max odiava mais os nefilins. Sempre se achando superiores. Sempre com seus olhares julgadores, quando estava com seus pais quando criança e eles olhavam para sua família com repulsa e para ele como se fosse o próprio demônio. Pessoas capazes de julgar a própria raça, de temer o desconhecido.

E olhando pela primeira vez em dias nos olhos de Adalind ele viu que ela o compreendia.

— Você não é nenhuma aberração Adalind. Você é um milagre. O Anjo permitiu sua vida e você brilha no meio de toda essa podridão. Você é um céu cheio de estrelas. Por isso eles a temem.

Adalind da um passo a frente inconscientemente. As palavras de Max eram capazes de deixá-la com os nervos a flor da pele como também podiam machucá-la. O que ela realmente sentiu ao ouvi-lo dizer tudo aquilo estava no limiar dos dois sentimentos.

— Mas eu sou uma Caçadora de Sombras e meu irmão também é. Meus ancestrais também foram e eu sirvo a Clave. Eles não precisam me temer. A força da minha espada está na minha lealdade. — Uma pequena corrente de ar entra pela janela.

— Sua maior lealdade é ao seu coração, Adalind. Você luta pelas pessoas que ama acima tudo.

Notas do Autor

Ágape: Significa amor, é uma palavra de origem grega. Ágape pode ser o amor que se doa, o amor incondicional, o amor que se entrega. No caso dos parabatais, o amor entre eles pode ser chamado de Ágape ou Philia, que seria um amor fraternal de grande profundidade e proporção.