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Por Thayssl Parte da continuidade de Bloodstream.

— Sim eu luto pelas pessoas que amo e não consigo parar. A todo o momento eu estou treinando nesta sala, melhorando minhas habilidades, tentando acabar com todas as fofocas e desconfianças das pessoas de Idris. Aparentemente todo esse esforço não tem me levado a lugar nenhum. —Adalind sentia-se frustrada. Ela desejava mostrar a Max que era forte e que nada no mundo era capaz de abala-la. Mas ela não era Will. Não conseguia mascara seus sentimentos ao ponto de quase não possuí-los.

— Todos tentam uma vez ou outra se provar para alguém Adalind. Você é a melhor guerreira de sua geração. Não precisa da aprovação de ninguém. — Max ergue a lâmina serafim e com a outra mão realiza alguns encantamentos. Seus dedos brilham e ao redor deles aparecem alguns inimigos de fumaça. — Acredito que isto não seja suficiente, mas vamos tentar extravasar um pouco com o que temos.

Encantada, Adalind observa os seres de fumaça. Ela sempre achou fascinante a maneira como a magia age e o jeito raro dos feiticeiros. Este era provavelmente o motivo de se sentir tão atraída a Max.

               Pelo menos era o que ela acreditava.

— Destruímos esses aqui e ai terminamos por hoje. Meu irmão ainda virá ajuda-lo e amanhã planejo lutar contra você, então sugiro que se prepare. — Ele sorri de lado tão rapidamente que foi quase imperceptível.

               — Por mim está tudo bem.

Clary assinava alguns papéis para a Clave no escritório que dividia com seu marido há algum tempo. Ela tentava se concentrar em sua tarefa apesar de desejar desesperadamente estar com Jace, Alec e Simon na biblioteca participando da reunião que estavam realizando. Durante este tempo como lideres do Instituto de Nova York, Jace havia evoluído bastante e agora era capaz de discutir sobre problemas e pensar bastante antes de tomar uma decisão.

Ele havia deixado de ser o garoto impulsivo pelo qual Clary havia se identificado e se apaixonado. Agora Jace era um homem, o pai dos seus filhos, sua alma gêmea e a pessoa com quem ela ainda queria passar o resto de seus dias. Era até engraçado para Clary lembrar-se de como hesitou em aceitar seu pedido de casamento no passado. Ela não conseguia imaginar-se com uma vida diferente.

Uma batida de leve na porta a faz se afastar da papelada um pouco. Ela emite um audível “entre” e espera ver quem é.

Beatriz Mendoza atravessa sua sala parando de frente para a escrivaninha. Ela tinha um cachecol ao redor do pescoço e seus cabelos negros mantinham-se comportados apesar do vento que vinha da janela. Ela cruza os braços em uma pose de descrença.

— Saio do Instituto por duas semanas e aparentemente já estamos em algum tipo de mega investigação perigosa? — Sua pergunta soa quase retórica. Ela puxa a cadeira e se senta, encarando Clary nos olhos.

Beatriz era a tutora do Instituto de Nova York desde o inicio do trabalho de Clary e Jace como líderes. Ela havia estudado na Academia dos Caçadores de Sombras junto de Simon e tem sido uma boa amiga da família.

— Adalind descobriu algo suspeito e claro, contou para o seu irmão que resolveu ir a uma missão investigativa junto dela e George. Eles descobriram algo preocupante e Jace resolveu fazer uma pequena reunião com Alec e Simon para discutir sobre o fato.

— E Magnus? Ele não deveria estar na reunião?

— Ele conversou com Jace mais cedo e decidiu ir falar com outros submundanos para ver se descobria mais.

— Se quiser posso falar com Julie. Ela está em Idris, pode ter ouvido alguma coisa. —Clary brinca com a caneta colidindo-a no caderno.

— Temos motivos para acreditar que a Clave não sabe de nada sobre isto. Magnus faz parte do Conselho e só soube do problema quando Adalind contou na mesa. Além do mais não queremos avisá-los agora. Não até termos algumas provas.

Ela anui levemente. Beatriz havia pedido sua licença anual para viajar pelo mundo junto de sua parabatai, Julie Beauvale. Julie está trabalhando temporariamente no Instituto de Madrid, mas de vez em quando presta serviços diretamente a Clave em Idris e passa um tempo com a família.

— E onde estão os outros? Quando cheguei pelo portal o Instituto estava tão vazio e quieto. Até me assustei. — Clary suspira.

— Will disse que iria para a biblioteca com George para pesquisar sobre yin fen e Adalind está na Sala de Treinamento com Max. Rafe ainda não voltou de Buenos Aires.

— Max está treinando? Esta é uma novidade que eu gostaria de ver.

— Alec estava preocupado com a possibilidade de que ele um dia não tivesse a magia para ajudá-lo. — Beatriz se levanta em um salto, segurando os papéis que Clary esteve assinando a tarde toda.

— Alec está sempre preocupado. Agora eu preciso recuperar o tempo de trabalho perdido. Vou para biblioteca ajudar os garotos e aproveito para enviar essa papelada para a Clave.

— Muito obrigado, Beatriz. — Clary também levanta, colocando a mão no ombro dela. — Já estávamos sentindo sua falta.

A garota sorri de lado e se prepara para sair da sala quando a porta se abre. Seu marido aparece na porta, acompanhado de Alec e Simon. Eles pareciam ainda discutir até notarem as mulheres paradas e apreensivas em suas frentes.

— Beatriz! Não sabia que já havia voltado de viagem. — Simon exclama surpreso. Ele a abraça rapidamente sorrindo.

— Acabei de chegar na verdade e já soube mais ou menos da situação. Chegaram a alguma conclusão? — Alec mexe nos cabelos pretos rapidamente, ato que sempre indicava seu nervosismo.

— Decidimos não nos comunicarmos com a Clave realmente. Vamos esperar nossos filhos voltarem de suas missões com provas e Magnus com pelo menos uma testemunha. — Todos parecem concordar.

— Vou até a biblioteca ajudar Will e George com suas pesquisas. Se precisarem de mim é só chamar.

E ela se vai apressada. Alec respira pesadamente e se joga na poltrona próxima a estante de livros parecendo cansado.

— Deveríamos ir ver como estão Adalind e Max. Pelo o que entendi, eles não estão se dando muito bem. — Jace nega com a cabeça.

— Bobagem. Quando minha filha não gosta realmente de alguém é bem fácil de perceber. Afinal, ela não é do tipo de pessoa que se segura muito.

— Não custa nada ir e verificar se estão bem. São apenas jovens. — Simon revira os olhos.

— Clary, eu já te disse que se preocupa em excesso? Adalind não é mais uma criança.

— Eu sei disso. Mas saber não diminui minhas preocupações.

Clary conseguia se lembrar do dia do nascimento de seus filhos. Era um dia chuvoso em Nova York e pelo instituto corria uma brisa fria e calma. Ela tinha tido contrações dolorosas o dia inteiro e Jace não havia saído nem um minuto sequer do seu lado. Muitas pessoas esperavam do lado de fora do quarto. Alec e Magnus, que haviam deixado Rafe no jardim, Simon e Izzy, Tessa e Jem, sua mãe e seu padrasto Luke e até mesmo Maryse estava lá. Todos apreensivos e ansiando por noticias.

Após diversas tentativas decepcionantes, ela finalmente havia conseguido engravidar. Seguiu uma dieta regrada, fez exercícios, se ausentou de missões perigosas e passou mais tempo se dedicando a arte. Durante a noite conversava com seus pequenos filhos enquanto acariciava a barriga lentamente. Os irmãos do silêncio não paravam de examiná-la, pois temiam o excesso de sangue de anjo em suas crianças.

               E depois disso tudo, ali estava ela. Pronta para o grande momento.

Foi mais rápido do que imaginava. Os bebês, gêmeos de sexos opostos, não deram trabalho para sair e chegaram ao mundo um após o outro preguiçosamente.

Agora, anos depois, seus filhos estavam quase adultos e já partiam sozinhos em missões. A vida de Caçador de Sombras era honrada, mas também perigosa. Clary conhecia muito bem o pior dos perigos e sabia que o mal nunca descansava.

O dia das suas crianças chegaria. A nova geração.


— Querida, nós éramos exatamente como eles quando jovens. Toda a vontade adolescente de procurar pelo perigo parece duplicar em caçadores de sombras. Will e Adalind passam tempo demais treinando e mal vão a missões de fato. Será bom para eles investigarem e finalmente descobrirem quem ou o que é LS. — Jace abraça Clary forte, como se dissesse para que se acalmasse. Apesar de já ter se passado tanto tempo o toque de seu marido ainda lhe causava arrepios.

— Estou pagando o preço por todas as vezes que deixei minha mãe morta de preocupação. — Clary sorri, sentindo-se subitamente cansada demais para continuar a falar. Jace franze o cenho.

— Está tudo bem?

Ela anuiu levemente apesar de não saber por que estava tão cansada. Não havia saído do escritório o dia inteiro.

— Sim, estou apenas com sono. Vou me deitar um pouco, mas me acordem quando estiver na hora deles partirem para a missão. — Clary deixa os braços de Jace e anda até o corredor. — Ah, e diga a Adalind que a espada dela finalmente chegou e que, por favor, só utilize ela em demônios.

[...]

Will havia sentado momentaneamente no chão duro da Sala de Treinamentos para descansar. Estava lutando a mais de duas horas seguidas, sem pausa alguma. Seu corpo estava completamente suado e ele não cheirava muito bem. Observava seu futuro parabatai deslizar enquanto desferia golpes rápidos e letais contra Max que sofria para se defender. A aquela altura o feiticeiro já nem tentava mais atacar. Tudo que queria era prevenir machucados graves e terminar de vez com aquele treino.

— Até quando pretende ficar fazendo corpo mole Will? — Adalind aparece em seu campo de visão junto de Beatriz Mendoza. Sua irmã parecia ter acabado de bater de frente com um tornado. Seus cabelos estavam rebeldes ao seu redor.

Um barulho é ouvido e Max está no chão junto de George. “Não acredito que ele se distraiu tanto com a chegada de Adalind que caiu.” Pensou Will. “Usarei isto contra ele pelo resto da vida”.

Aquele pensamento o fez sorrir descaradamente.

— Eu estive treinando por mais de duas horas. Merecia um descanso. — Ela se senta ao seu lado e torce o nariz.

— Pelo anjo, Will, você está fedendo.

— Gostaria que me contasse alguma novidade querida irmã. — Will retira os equipamentos de combate, ficando apenas com a roupa de baixo. — Está precisando falar comigo?

— Na verdade preciso falar com todos vocês. — Ela aponta para os outros. — Beatriz veio nos aconselhar um pouco também.

Will sorri brevemente para sua tutora. Era muito bom tê-la novamente no Instituto.

— Verei se eles já esfriaram a cabeça. — Ele levanta, sentindo breves pontadas de cansaço. George estava sentado no tablado com Max reclamando ao seu lado pela queda mal calculada. Will suspira.

— Vocês não conseguem passar dois segundos sem discutir? Minha irmã e Beatriz desejam falar conosco. Venham logo!

Adalind prendia o riso enquanto se erguia. Apesar de ter treinado quase o dia inteiro sua irmã não parecia sentir dor. Ela vestia roupas casuais e desta maneira parecia jovem demais. Quase mundana.

— Então acho que posso falar agora. Papai decidiu que não se comunicará com a Clave até termos respostas. Ele irá junto de tio Simon e Alec se encontrar com Magnus no Mercado das Sombras. Enquanto isto Will e George irão atrás de mercadores em algumas festas do submundo.

— Isto me parece interessante.

— Irmão foco, por favor. Sabe o que aconteceu da ultima vez que fomos a uma festa deste tipo. — Will se lembrava disto muito bem. Ele e Adalind acabaram experimentando pó de fada e digamos que Will havia ficado mais sem pudor do que o normal. — Por fim irei junto de Max a procura de uma amostra da droga para determinarmos sua origem.

— Sejam discretos e evitem ao máximo confrontos desnecessários. Usem o uniforme de combate padrão e Max, sei que não é um caçador de sombras, mas sugiro que vista um uniforme também — Max, apesar de relutante, concorda com Beatriz. Era difícil não acatar uma ordem de alguém como ela.

— Nos encontraremos no Central Park. Ele estará fechado, mas podemos usar nossas runas para ficarmos invisíveis. Lá Max abrirá um Portal para voltarmos pra casa. Se tiverem qualquer problema é só ligar. Estamos entendidos? — Adalind se vira rapidamente para Max. Will achava ter notado um leve desconforto no olhar do feiticeiro, entretanto era mais provável que tivesse visto mal. — te vejo nos corredores a meia noite.

E sua irmã se vai. Ele sentia um aperto no peito, do tipo que sempre sentia quando Adalind estava triste, estressada ou em perigo. Will franze o cenho preocupado, decidindo falar com ela logo mais. Beatriz ainda permanecia parada de pé, os avaliando.

— Max está dispensado. George e Will preciso conversar com vocês. Garanto que será rápido.

Max recolhe sua toalha já um pouco encharcada de suor e deixa a Sala de Treinamentos passando-a pelos cabelos azulados. Ao ouvir a porta bater, eles se reúnem no tablado.

— A cerimônia parabatai de vocês foi finalmente agenda. Será em menos de duas semanas. — Os garotos se entreolham quase sem crer. Fazia muito tempo que almejavam isto. — sabe Will, sempre achei que você acabaria se tornando o parabatai da sua irmã.

               Ele sorri; Não era a primeira vez que ouvia isto de alguém.

— Eu e Adalind já somos ligados até demais. Você sabe que posso sentir quase tudo que ela sente. Se passássemos por uma cerimônia como esta era capaz de virarmos um só. — Beatriz gargalha controladamente. Desde criança Will sempre a achou uma mulher muito divertida. Pelo menos quando não estava lhe dando sermões por não prestar atenção nas aulas de latim.

— Tem razão. Se posso lhes aconselhar sobre algo diria para nunca se separarem. Sei que em algum momento vocês iram constituir uma família e precisaram ter seu próprio espaço. Mas enquanto este dia não chega, e até mesmo quando chegar permaneçam unidos. Compreendo que Will pode ser insuportável ás vezes...

—Sra. Mendonza não seja má. — Will pisca para ela, que revira os olhos.

— Concordo plenamente com a senhora. Will pode ser bastante desagradável quando quer. — George ainda estava ruborizado de calor. Sua pele exposta já mostrava as primeiras marcas roxas. — Mas eu também sou um completo idiota então acho que nos sairemos bem.

George aperta a mão de Will com força, firmando o compromisso que há anos já estava afirmado em seus corações.

[...]

Adalind estava levemente irritada.

Sua mãe estava indisposta e por isso Beatriz ficaria com ela. Apesar de preocupada ela precisava completar sua missão, que não era nada fácil. Estava terminando de amarrar seus protetores de couro, quando a porta se abriu. Seu pai entrava no quarto vestindo roupas comuns. Ele carregava em mãos uma grande caixa e parecia entusiasmado.

— Pai? Achei que já havia ido.

Jace põe a caixa em cima da cama e se aproxima de Adalind.

— Fiquei mais um pouco com a sua mãe. Acredito que os irmãos do silêncio estejam a caminho para saber o motivo da indisposição dela, apesar dela negar que esteja muito mal. Você sabe, sua mãe é bem cabeça dura quando quer.

A garota sorri de lado.

— Talvez seja por isso que vocês se dão tão bem. — Seu pai, com a aparência cansada, pisca rapidamente para ela. Os anos apenas faziam bem para Jace. Ele havia criado uma barba rala e seus cabelos loiros vivos caiam sobre os olhos dourados que mal tinham rugas.

— Eu vim aqui também por um motivo em especial. — Ele abre com cuidado a caixa revelando um embrulho preto. — A espada Herondale perdida. Tizona.

O olhar de Adalind se ilumina. Ela havia esperado tanto por este momento que quase não conseguia acreditar.

— A espada pertenceu a El Sid, nobre castelhano e líder militar na Espanha medieval. Recentemente, registros comprovaram que ele tinha sangue Herondale por parte de seu pai. A espada havia se perdido após as grandes batalhas que travou, mas finalmente foi encontrada e entregue aos seus herdeiros. Seu irmão também recebeu uma. Ela complementa a sua. Assim como vocês são de verdade. — Adalind vai até a caixa e retira o embrulho preto enxergando a lâmina. Era uma bela espada de dois gumes com ponta perfurante, empunhadura vermelha elegante e logo acima um padrão das garças voando, símbolo da família Herondale. Ela possui alguns detalhes em dourado e duas frases escritas na lâmina que dizia:

"Io soi Tizona fue fecha en la era de mile quarenta."

"Eu sou Tizona. Fui feita na era de mil e quarenta"

e na face oposta:

"Entonces tuvimos que volar como nuestras garzas"

"Então nós tivemos que voar como nossas garças"

— É perfeita. — Ela segura a espada com calma e devoção, testando seu peso e seu balanço. — Nem sei como lhe agradecer papai.

— Me agradeça realizando sua missão com sucesso. — Ele deposita um beijo na testa da filha. — E, claro, utilizando sua espada com sabedoria.

Seu pai nem mesmo precisava pedir isto. Adalind jamais se permitiria falhar em uma missão, especialmente quando se tratava de algo tão sério e sigiloso.

— Então, vou terminar de me arrumar. Poderia ver se Max já está pronto?

— Claro que sim. Filha você me pareceu um pouco incomodada com o fato de que irá para uma missão com Max. Aconteceu alguma coisa entre vocês? — Adalind se assusta. Não esperava que o pai percebesse seu desconforto.

— Não! Nada que precise se preocupar. É que eu estou acostumada a sair em missões com meu irmão. Ele sabe o que eu tenho em mente antes mesmo de eu dizer algo. Não queria carregar alguém nas costas.

— Adalind, não quero ver você pensando desta forma. Aprecio muito o amor que sente pelo seu irmão. Mas nem sempre você sairá em missões com pessoas altamente eficazes em combate. Alguns caçadores de sombras possuem outras especialidades. Sua mãe por exemplo. Ela não é a maior guerreira, mas tem o poder de criar novas runas o que é muito útil para todos nós. — Adalind suspira. Sabia que não deveria ter dito algo tão arrogante. Na verdade ela estava apenas nervosa com a ausência do irmão e com o fato de precisar estar na presença de Max mais uma vez naquele dia.

— Desculpe. Minha cabeça está a mil. Avise a Max que estou quase pronta.

— Tudo bem. Que Raziel lhe guie.

Seu pai deixa seu quarto sem pressa, fechando a porta atrás de si. Adalind esfrega os olhos cansados e respira fundo. Seria uma longa noite.

Ela abre a gaveta, retirando dali seu conjunto de adagas e facas de arremesso feito sob medida, e as põe no compartimento da coxa e nas botas de couro. Amarrava as ataduras nas mãos quando sentiu alguém lhe observava.

— Nunca entendi porque tantos protetores. — Max estava encostado na parede, quase contemplativo. Ele vestia roupas de combate por baixo do casaco — Também não compreendo a necessidade de tantas facas escondidas. Uma lâmina serafim não é o suficiente?

— Você está bem falante hoje. — Comenta sorrindo. Max revira os olhos, então ela decide não ser tão sarcástica, pois temia que ele se fechasse novamente.

— Cada parte do nosso uniforme é essencial para nossa proteção em combate. Se um dia for alvejado com flechas ou atacado por uma lâmina a queima-roupa entenderá porque tanto couro. — Adalind levanta certificando-se de que os cabelos estão bem presos. — Facas escondidas são necessárias para o caso de perdermos a lâmina serafim durante uma luta.

— É talvez faça algum sentido. — Max estava quase entediado. Seu capuz estava torto e carregava na cintura uma espada curta comum. Era estranho, mas de alguma forma Adalind sentia que Max estava transbordando de magia, como se tivesse bebido água de uma fonte mágica. Normalmente quando o garoto estava glamurado, seu potencial mágico tendia a cair drasticamente. Ela encaixa Tizona nas costas e avança em direção a ele.

— Vamos.

Na saída do Instituto, Will e George conversavam animadamente. Adalind imaginava o que Beatriz havia lhes dito. Seu palpite era de que tivesse relação com a cerimônia parabatai.

— Você deveria carregar mais lâminas. Nem sempre o arco é completamente eficiente.

— Will, eu sou um arqueiro. Você já deveria ter aceitado este fato. — George empurra Will de leve. — Sabe que mato mais demônios que você mesmo a distância.

— Como disse Maxwell? — Seu irmão fingia indignação. — Não sou chamado de melhor caçador de sombras da nova geração à toa.

— Humildade também não é seu forte pelo que vejo. — Adalind, acompanhada por Max, se aproxima dos dois meninos. George, que estava de lado, agora a encarava com um leve sorriso entre os lábios. Por mais que não admitisse em voz alta, a garota adorava a maneira como ele sempre parecia prestar total atenção nela.

— Essa é a espada? — Ele pergunta, apontando para suas costas.

— Sim. Posso te mostrar em detalhes depois. A proposta ainda está de pé, certo?

George momentaneamente parece chocado. Ele não esperava que Adalind falasse sobre o encontro deles na frente de todos. Isso o deixou estranhamente feliz.

— Claro que sim. — Sua voz sai mais baixa do que pretendia. Adalind achava muito engraçado a timidez dele.

Max pigarreia.

— Achei que tivéssemos uma missão para ir. — Ele parecia irritado. — Não sei eles dois, mas eu e você temos horário. — Adalind se vira, esbarrando sem querer no corpo de Max. Ela não imaginava que ele estava tão próximo.

Após três segundos de confusão da parte do garoto, ele recua consideravelmente.

— Você é impossível. — Adalind sai batendo forte os pequenos saltos das botas no chão duro. Max faz menção em segui-la para fora do Instituto, no entanto Will segura seu pulso.

— Não me interessa suas desavenças com a minha irmã. Cuide dela. — Os olhos verdes de Will pareciam ferozes diante do luar. — Fui claro?